Por que os cabelos caem e ficam mais finos na menopausa?

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Queda capilar e afinamento dos fios são queixas muito comuns relatadas por mulheres no climatério e na menopausa. A culpa, é claro, é dos hormônios. Mas isso pode ser tratado de maneira sistêmica e local, entenda como

A queda e o afinamento capilar durante a menopausa são queixas muito comuns, causadas principalmente pelas profundas mudanças hormonais que caracterizam esta fase.

A causa principal: a revolução hormonal

O gatilho central é a drástica redução na produção de estrogênio e progesterona. Esses hormônios têm um papel fundamental na saúde capilar:

Estrogênio: prolonga a fase de crescimento do cabelo (fase anágena), promovendo fios mais grossos, densos e com ciclo de vida mais longo. Sua queda abrupta encurta essa fase.

Progesterona: ajuda no crescimento do cabelo e sua diminuição contribui para a desaceleração do ciclo capilar.

Paralelamente, há um desequilíbrio em relação aos andrógenos (hormônios masculinos, como a testosterona). Como os níveis de estrogênio caem, o efeito relativo dos andrógenos, que sempre estiveram presentes, mas eram balanceados, se torna mais pronunciado.

Esse desequilíbrio pode levar à miniaturização dos folículos pilosos, um processo em que os fios crescem cada vez mais finos e curtos, característico da alopecia androgenética feminina.

Além do eixo hormonal, outras mudanças típicas da menopausa intensificam o problema:

Alterações metabólicas e nutricionais: a absorção de nutrientes pode ficar menos eficiente, e défices de ferro, zinco, vitaminas do complexo B (especialmente biotina), vitamina D e proteínas tornam-se mais comuns, enfraquecendo a estrutura do fio.

Estresse e alterações no sono: as ondas de calor, mudanças de humor e insônia típicas do climatério aumentam o nível de cortisol (hormônio do stress), que é um conhecido inibidor do crescimento capilar e pode precipitar eflúvios telógenos (queda difusa e acentuada).

Condições da tireoide: o hipotireoidismo torna-se mais frequente nesta fase e é uma causa conhecida de cabelos secos, quebradiços e com queda.

Redução do colágeno e sebo: a menor produção de colágeno torna os fios mais finos e frágeis. A diminuição da produção de sebo pode deixar o cabelo mais seco e quebradiço.

O que fazer?

Consultar-se com um dermatologista ou tricologista é essencial para descartar outras causas, como problemas na tireoide ou défices nutricionais e confirmar o diagnóstico de alopecia androgenética feminina ou eflúvio telógeno pós-menopausa.

A terapia de reposição hormonal pode ajudar a melhorar significativamente a qualidade do cabelo e da saúde de maneira geral, ao reequilibrar os níveis de estrogênio. Apesar de ser alvo de preconceito, essa é uma ferramenta terapêutica importantíssima e que pode fazer toda a diferença para uma longevidade mais saudável e com qualidade de vida.

Tratamentos tópicos e orais:

Minoxidil: solução tópica de venda livre, é o tratamento padrão-ouro para estimular o crescimento e engrossar os fios. Age aumentando o fluxo sanguíneo para o folículo.

Antagonistas de andrógenos: medicamentos como a espironolactona ou a ciproterona (não disponível em todos os países) podem ser prescritos para bloquear o efeito dos hormônios masculinos no folículo capilar.

Suplementação orientada: repor déficits específicos (ferro, vitamina D, biotina, etc.) conforme detectado em exames.

Procedimentos complementares: MMP capilar, laser de baixa potência e mesoterapia capilar podem ser coadjuvantes eficazes para estimular os folículos.

A queda e o afinamento capilar na menopausa são um reflexo direto do turbilhão hormonal interno. Embora seja uma consequência biológica comum, não precisa ser aceita passivamente. Com uma abordagem diagnóstica correta e um plano de tratamento personalizado é possível recuperar a saúde, a densidade e a vitalidade dos cabelos nesta nova fase da vida.

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